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O que o Brasil precisa para se tornar mais inovador

O Brasil tem potencial para crescer e se transformar em um país inovador e com melhor qualidade de vida nos próximos anos. É nisso em que acredita Guilherme Potenza, associado sênior da Veirano Advogados. Potenza mediou, na tarde desta quinta-feira (05/10), uma conversa sobre o que o país precisa para se desenvolver em termos de tecnologia. O bate-papo ocorreu durante a 4ª edição da Conferência Brasileira de Venture Capital, evento realizado pela Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital.

Jorge Audy, presidente da Anprotec e professor da PUC-RS, reiterou a fala de Potenza. Além da confiança na capacidade do país, o docente também expressou o que para ele é uma das principais razões pelas quais o Brasil ainda não consegue ter grandes polos tecnológicos. “Temos muita capacidade de inovar, mas nosso grande desafio é conseguir conectar o conhecimento com as grandes corporações. As universidades podem ajudar no crescimento do país, mas elas precisam ser conectar com o mercado para gerar valor. Os grandes polos de inovação do mundo funcionam dessa forma, basta olhar para o Vale do Silício (Califórnia) e Tel-Aviv (Israel). Eles estão dentro das universidades”, afirma.

Camila Folkman, sócia da Mindset Ventures, concorda. “Um dos principais fatores de sucesso do Vale do Silício é o incentivo que as universidades oferecem aos seus estudantes. É uma espécie de empoderamento. As universidades formam os profissionais do futuro e são elas que criam o mindset de empreendedor nos alunos”, diz.

Algumas iniciativas no sentido de fomentar o empreendedorismo dentro das universidades já estão acontecendo no Brasil. É o caso do Porto Digital, espaço em Recife; o Sapiens Park, em Santa Catarina; o TecnoPuc e Tecnosinos, ambos no Rio Grande do Sul; o BH-Tec, em Minas Gerais; e o Vértice, espaço que abriga startups na Unicamp, em Campinas.

Além de criar espaços de fomento ao empreendedorismo dentro do ambiente universitário, outra forma para se ampliar a inovação tecnológica são os espaços de incentivo à cultura empreendedora criados por grandes empresas. Por exemplo, o Cubo, do Itaú, e o Visa Brasil Co-Creation Center, implementado por Enrico Fileno, diretor de inovação da Visa. “Esse tipo de iniciativa é importante. As grandes corporações devem ter como objetivo a criação de hubs de inovação. Devemos fortalecer o diálogo entre startups e grandes empresas”, diz Fileno.

Os palestrantes também discutiram a importância dos incentivos governamentais. Segundo Camila, da Mindset Ventures, ainda há um longo caminho a percorrer. “Nós ainda precisamos de maior aporte governamental no sentido de se criar oportunidades para aperfeiçoamento do conhecimento. Além disso, podemos nos inspirar em nossos vizinhos latino-americanos, como Chile e Argentina, por exemplo, e facilitar a burocracia para se criar uma empresa. Nesses dois países, um negócio pode sair do papel em apenas um dia”, afirma.

Porém, ainda que haja muito o que melhorar, o ecossistema empreendedor brasileiro já está despontando em alguns aspectos — e quem afirmou isso foi sueco Joakim Pops, sócio-gerente da Webrock Ventures: “Os estrangeiros veem no Brasil uma possibilidade enorme de crescimento. Aqui é o melhor mercado emergente para se investir. Há um cenário bem desenvolvido no que diz respeito à tecnologia, a espaços de coworking e muita boa vontade dos brasileiros em fazer negócios”.