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Notícias e Publicações

Empresas adotam inteligência artificial para ganhos de produção

Atividades que antes eram feitas unicamente por humanos, como decidir qual será o tratamento de um paciente, escrever uma petição, atender clientes ou escolher profissionais em um processo seletivo, começam a ser aprendidas por sistemas de inteligência artificial.

Programas do tipo vêm sendo testados no mercado brasileiro, com a promessa de aumentar a produtividade e melhorar a tomada de decisões nas companhias.

Oncologistas do Hospital do Câncer Mãe de Deus, em Porto Alegre, não dependerão apenas de seus conhecimentos para atender pacientes a partir desta semana.

Um grupo de 25 médicos do hospital terá ajuda do Watson, sistema de inteligência artificial da IBM, para definir qual tratamento será usado para pacientes que possuem sete tipos de tumores.

Carlos Barrios, oncologista e diretor do hospital gaúcho, explica que a tecnologia irá permitir aos médicos ter acesso instantâneo a milhões de artigos científicos sobre câncer, indicações de tratamentos possíveis em cada caso por ordem de confiabilidade.

Para isso, os profissionais informarão ao sistema dados sobre o paciente que estão atendendo e, em alguns segundos, receberão as sugestões do serviço.

"A quantidade de informações médicas vem se multiplicando a cada poucos meses. O volume não é manejável. Uma pessoa só não tem condições de se manter atualizada", diz Barrios.

Ele afirma que o sistema não irá decidir o que o médico fará, mas dará informações organizadas para que ele converse com o paciente e tome decisões embasadas.

De acordo com Ricardo Chisman, diretor-executivo da consultoria Accenture, entre as principais funções da inteligência artificial está justamente ajudar na análise de grandes volumes de informações.

Ele diz que essa tecnologia vem ganhando espaço devido ao aumento da capacidade dos computadores para realizar essas operações e com um custo cada vez menor.


SELEÇÃO ARTIFICIAL

A inteligência das máquinas deve automatizar processos repetitivos e as tomadas de decisões baseadas em muitas variáveis.

O processo de seleção de trainees da Kraft Heinz recebe anualmente cerca de 10 mil candidatos. Até 2015, o currículo de cada um deles era avaliado até que os 700 mais promissores fossem convocados para entrevistas.

Agora, um software da start-up Gupy analisa currículos de todos os inscritos e os questionários de áreas como lógica, inglês e comportamento respondidos pelos candidatos –os profissionais de melhor desempenho da empresa também respondem testes semelhantes.

Com as informações geradas no processo, o software computacional compara os resultados dos dois grupos para entender quais os fatores que aumentam as chances de sucesso dentro da empresa e identifica os melhores candidatos para ela.

Com a seleção feita a partir da inteligência artificial, foi possível reduzir o número de candidatos chamados para entrevistas de 700 para cerca de 250, diz Raphael Bozza, gerente de gente e performance da Kraft Heinz.

Segundo ele, o processo agora ficou mais simples, ágil e organizado.


TEMPO PARA PENSAR

No escritório de advocacia Veirano, que tem há dois anos projetos com a start-up Linte para usar inteligência artificial, já é possível que um profissional confeccione documentos como petições e contratos só respondendo a questões em formulário simples.

O sistema analisa as respostas que foram dadas pelo advogado e as compara com uma base de documentos produzida pelo escritório para decidir a melhor forma de fazer a tarefa, diz Guilherme Potenza, associado do Veirano.

De acordo com ele, a ideia é automatizar atividades trabalhosas que tomam muito tempo e exigem pouco conhecimento e reflexão.

"Não queremos os advogados fazendo cópia e cola. Queremos eles pensando, falando com clientes, criando novas teses."

Potenza diz que, apesar de o sistema estar sendo usado apenas em tarefas simples, o plano do escritório é aumentar a sofisticação do sistema, o que exige grande trabalho para refiná-lo. Porém ele não revela detalhes do que vem sendo desenvolvido.


FIM DE TAREFAS REPETIDAS

Empresas que desenvolvem e aplicam a inteligência artificial em seu cotidiano afirmam que o avanço da tecnologia no mercado não tornará o trabalho humano obsoleto, mas irá acabar com muitas atividades repetitivas e que não exijam qualidades como empatia e criatividade.

Guilherme Novaes, líder de Watson (plataforma de inteligência artificial) na IBM Brasil, diz que a tecnologia não irá substituir o trabalho humano, mas será uma ajudante para tornar as atividades mais produtivas.

"A inteligência artificial visa aumentar o conhecimento do ser humano. Tarefas repetitivas ou que tomam muito tempo de pesquisa podem ser feitas por sistemas cognitivos, com a vantagem de ter uma capacidade de leitura e memória muito melhor do que a nossa."

Carlos Barrios, diretor do Hospital do Câncer Mãe de Deus, parceira da IBM na adoção do Watson em tratamentos, afirma que robôs podem armazenar conhecimento, mas não possuem qualidades humanas essenciais.

"O Watson não tem empatia, não entende o que o paciente precisa no momento, não pega na mão dele. Ele te dá conhecimento. É importantíssimo, mas não é tudo o que o médico precisa."

Raphael Bozza, gerente da Kraft Heinz (que usa inteligência artificial na seleção de trainees), afirma que o contato humano não deve ser deixado de lado no momento do recrutamento.

"Posso estar sendo mais antigo, mas acredito que o brilho no olho, a comunicação frente à frente são imprescindíveis no processo de seleção."

O advogado do futuro também será menos dependente de memória e fará menos tarefas repetitivas, afirma Gabriel Senra, cofundador da Linte, empresa que desenvolve inteligência artificial para o setor jurídico.

Ricardo Chisman, diretor da Accenture, diz que transformações tecnológicas sempre tornam empregos obsoletos, mas têm o potencial de criar novas atividades, como profissionais que possam treinar os sistemas baseados em inteligência artificial.

*

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Tecnologia ganha espaço em empresas e assume funções variadas

 

Advogado

As empresas Linte e Tikal desenvolvem softwares que ajudam profissionais a criar rapidamente documentos que possuem preenchimento padronizado e repetitivo.

O escritório Veirano possui projeto de adoção da tecnologia há dois anos, por enquanto para a elaboração de contratos e petições.


Recrutador

A Gupy desenvolveu sistema que analisa o perfil dos melhores profissionais de uma empresa e lista novos candidatos de acordo com as chances de eles terem sucesso.

A Kraft Heinz faz processos para a primeira fase de seleção de trainees, reduzindo o tempo de triagem de currículos em 70%.


Treinador

A Hondana criou o aplicativo Indica, que usa formato de chat para dar instruções a profissionais, personalizando o conteúdo de acordo com as interações do funcionário.

A Cteep (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista) vem usando o app para reforçar treinamentos de liderança desde maio.


Atendente

Conhecidos como "chatbots", robôs que conversam a partir de textos com clientes para tirar dúvidas e resolver problemas vêm se disseminando pelo mercado.

O Poupatempo fez em maio cerca de 150 mil agendamentos dos 1,1 milhão de atendimentos do mês usando chatbot feito pela start-up Nama.


Planejador

A empresa Tevec possui sistema que combina variáveis como desempenho da economia, clima, efeitos sazonais e histórico de vendas para ajudar a estimar a demanda de produtos.

A Kopenhagen adotou o sistema no final de 2015 para dar sugestões a franqueados de quanto devem comprar de cada item.


Médico

A IBM, a partir de sua plataforma de inteligência Watson, tem serviço que analisa informações de pacientes e faz recomendações a partir da consulta a milhões de artigos científicos

O Hospital do Câncer Mãe de Deus, em Porto Alegre, vai usar a tecnologia para auxiliar no tratamento de sete tipos de câncer.


Perícia

A IDwall checa a autenticidade de documentos e informações fornecidas por clientes a partir de sistema que automatiza a conferência de dados e checagem de histórico da pessoa

Segundo a 99, a adoção da tecnologia há quatro meses permitiu tornar o processo de aprovação de motoristas mais rápido e rigoroso.

Atividades que antes eram feitas unicamente por humanos, como decidir qual será o tratamento de um paciente, escrever uma petição, atender clientes ou escolher profissionais em um processo seletivo, começam a ser aprendidas por sistemas de inteligência artificial.
 
Programas do tipo vêm sendo testados no mercado brasileiro, com a promessa de aumentar a produtividade e melhorar a tomada de decisões nas companhias.
 
Oncologistas do Hospital do Câncer Mãe de Deus, em Porto Alegre, não dependerão apenas de seus conhecimentos para atender pacientes a partir desta semana.
 
Um grupo de 25 médicos do hospital terá ajuda do Watson, sistema de inteligência artificial da IBM, para definir qual tratamento será usado para pacientes que possuem sete tipos de tumores.
Carlos Barrios, oncologista e diretor do hospital gaúcho, explica que a tecnologia irá permitir aos médicos ter acesso instantâneo a milhões de artigos científicos sobre câncer, indicações de tratamentos possíveis em cada caso por ordem de confiabilidade.
 
Para isso, os profissionais informarão ao sistema dados sobre o paciente que estão atendendo e, em alguns segundos, receberão as sugestões do serviço.
 
"A quantidade de informações médicas vem se multiplicando a cada poucos meses. O volume não é manejável. Uma pessoa só não tem condições de se manter atualizada", diz Barrios.
 
Ele afirma que o sistema não irá decidir o que o médico fará, mas dará informações organizadas para que ele converse com o paciente e tome decisões embasadas.
 
De acordo com Ricardo Chisman, diretor-executivo da consultoria Accenture, entre as principais funções da inteligência artificial está justamente ajudar na análise de grandes volumes de informações.
 
Ele diz que essa tecnologia vem ganhando espaço devido ao aumento da capacidade dos computadores para realizar essas operações e com um custo cada vez menor.
 
SELEÇÃO ARTIFICIAL
 
A inteligência das máquinas deve automatizar processos repetitivos e as tomadas de decisões baseadas em muitas variáveis.
 
O processo de seleção de trainees da Kraft Heinz recebe anualmente cerca de 10 mil candidatos. Até 2015, o currículo de cada um deles era avaliado até que os 700 mais promissores fossem convocados para entrevistas.
 
Agora, um software da start-up Gupy analisa currículos de todos os inscritos e os questionários de áreas como lógica, inglês e comportamento respondidos pelos candidatos –os profissionais de melhor desempenho da empresa também respondem testes semelhantes.
 
Com as informações geradas no processo, o software computacional compara os resultados dos dois grupos para entender quais os fatores que aumentam as chances de sucesso dentro da empresa e identifica os melhores candidatos para ela.
 
Com a seleção feita a partir da inteligência artificial, foi possível reduzir o número de candidatos chamados para entrevistas de 700 para cerca de 250, diz Raphael Bozza, gerente de gente e performance da Kraft Heinz.
 
Segundo ele, o processo agora ficou mais simples, ágil e organizado.
 
TEMPO PARA PENSAR
 
No escritório de advocacia Veirano, que tem há dois anos projetos com a start-up Linte para usar inteligência artificial, já é possível que um profissional confeccione documentos como petições e contratos só respondendo a questões em formulário simples.
 
O sistema analisa as respostas que foram dadas pelo advogado e as compara com uma base de documentos produzida pelo escritório para decidir a melhor forma de fazer a tarefa, diz Guilherme Potenza, associado do Veirano.
 
De acordo com ele, a ideia é automatizar atividades trabalhosas que tomam muito tempo e exigem pouco conhecimento e reflexão.
 
"Não queremos os advogados fazendo cópia e cola. Queremos eles pensando, falando com clientes, criando novas teses."
 
Potenza diz que, apesar de o sistema estar sendo usado apenas em tarefas simples, o plano do escritório é aumentar a sofisticação do sistema, o que exige grande trabalho para refiná-lo. Porém ele não revela detalhes do que vem sendo desenvolvido.
 
FIM DE TAREFAS REPETIDAS
 
Empresas que desenvolvem e aplicam a inteligência artificial em seu cotidiano afirmam que o avanço da tecnologia no mercado não tornará o trabalho humano obsoleto, mas irá acabar com muitas atividades repetitivas e que não exijam qualidades como empatia e criatividade.
 
Guilherme Novaes, líder de Watson (plataforma de inteligência artificial) na IBM Brasil, diz que a tecnologia não irá substituir o trabalho humano, mas será uma ajudante para tornar as atividades mais produtivas.
 
"A inteligência artificial visa aumentar o conhecimento do ser humano. Tarefas repetitivas ou que tomam muito tempo de pesquisa podem ser feitas por sistemas cognitivos, com a vantagem de ter uma capacidade de leitura e memória muito melhor do que a nossa."
 
Carlos Barrios, diretor do Hospital do Câncer Mãe de Deus, parceira da IBM na adoção do Watson em tratamentos, afirma que robôs podem armazenar conhecimento, mas não possuem qualidades humanas essenciais.
 
"O Watson não tem empatia, não entende o que o paciente precisa no momento, não pega na mão dele. Ele te dá conhecimento. É importantíssimo, mas não é tudo o que o médico precisa."
 
Raphael Bozza, gerente da Kraft Heinz (que usa inteligência artificial na seleção de trainees), afirma que o contato humano não deve ser deixado de lado no momento do recrutamento.
 
"Posso estar sendo mais antigo, mas acredito que o brilho no olho, a comunicação frente à frente são imprescindíveis no processo de seleção."
 
O advogado do futuro também será menos dependente de memória e fará menos tarefas repetitivas, afirma Gabriel Senra, cofundador da Linte, empresa que desenvolve inteligência artificial para o setor jurídico.
 
Ricardo Chisman, diretor da Accenture, diz que transformações tecnológicas sempre tornam empregos obsoletos, mas têm o potencial de criar novas atividades, como profissionais que possam treinar os sistemas baseados em inteligência artificial.
*
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Tecnologia ganha espaço em empresas e assume funções variadas
 
Advogado
As empresas Linte e Tikal desenvolvem softwares que ajudam profissionais a criar rapidamente documentos que possuem preenchimento padronizado e repetitivo.
O escritório Veirano possui projeto de adoção da tecnologia há dois anos, por enquanto para a elaboração de contratos e petições.
 
Recrutador
A Gupy desenvolveu sistema que analisa o perfil dos melhores profissionais de uma empresa e lista novos candidatos de acordo com as chances de eles terem sucesso.
A Kraft Heinz faz processos para a primeira fase de seleção de trainees, reduzindo o tempo de triagem de currículos em 70%.
 
Treinador
A Hondana criou o aplicativo Indica, que usa formato de chat para dar instruções a profissionais, personalizando o conteúdo de acordo com as interações do funcionário.
A Cteep (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista) vem usando o app para reforçar treinamentos de liderança desde maio.
 
Atendente
Conhecidos como "chatbots", robôs que conversam a partir de textos com clientes para tirar dúvidas e resolver problemas vêm se disseminando pelo mercado.
O Poupatempo fez em maio cerca de 150 mil agendamentos dos 1,1 milhão de atendimentos do mês usando chatbot feito pela start-up Nama.
 
Planejador
A empresa Tevec possui sistema que combina variáveis como desempenho da economia, clima, efeitos sazonais e histórico de vendas para ajudar a estimar a demanda de produtos.
A Kopenhagen adotou o sistema no final de 2015 para dar sugestões a franqueados de quanto devem comprar de cada item.
 
Médico
A IBM, a partir de sua plataforma de inteligência Watson, tem serviço que analisa informações de pacientes e faz recomendações a partir da consulta a milhões de artigos científicos
O Hospital do Câncer Mãe de Deus, em Porto Alegre, vai usar a tecnologia para auxiliar no tratamento de sete tipos de câncer.
 
Perícia
A IDwall checa a autenticidade de documentos e informações fornecidas por clientes a partir de sistema que automatiza a conferência de dados e checagem de histórico da pessoa
Segundo a 99, a adoção da tecnologia há quatro meses permitiu tornar o processo de aprovação de motoristas mais rápido e rigoroso.